segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Para ter chegado até aqui, muito provavelmente você leu o Mini Paper número 121 do TLC-BR e ficou curioso. Talvez quisesse saber mais sobre o tema. Talvez buscasse a versão completa da fábula “O nevoeiro e o sapo”, com moral e tudo. Ou talvez quisesse dar sua opinião. Ou outra coisa.

De qualquer maneira, você acaba de se posicionar como alguém que acredita que os temas cruciais de nossa vida não se esgotam em uma página, em um ponto de vista ou em um lado da história. Uma página escrita pode ser um belíssimo começo, uma semente, mas é insuficiente para o desenvolvimento de algo maior do que mera informação (ou ruído).

Já que é assim, começo por deixar clara uma coisa: eu não coloquei aqui a íntegra da fábula “O Nevoeiro e o Sapo”. Pior, não existe uma fábula de um sapo pulando curtinho num nevoeiro. Eu nem sei se o sapo dá saltos mais curtos, parando mais no chão, durante um nevoeiro. Mas você há de concordar que é uma bela ideia, algo que o sapo bem que deveria fazer... E faz uma perfeita ponte com o conteúdo do Mini Paper. Só não avisei o sapo, que talvez não tenha o menor interesse em dar estofo à minha tese, e só queira mesmo pular...

O assunto começa a ficar interessante quando informo que o caráter fictício da ideia é proposital. A criação de factóides, que pairam tranquilos como grandes verdades na superficialidade de nossos dias, é tema importante a ser pensado. Façamos um pouco de contas: um Mini Paper segue para cerca de 10.000 pessoas, é lido por no máximo 20% destes, mas eventualmente não mais do que duas dezenas sigam o link e entrem neste site. Ou seja, talvez cerca de 98% das pessoas que leram o Mini Paper permaneçam na superfície, acreditem num factóide e saiam por aí contando que um sapo pula curtinho no nevoeiro.

Que pressões fazem com que 80% das pessoas que deparam com um texto não o leiam, e 98% dos que leem não se motivem a dedicar um pouco mais de tempo em busca de algo mais? Na minha opinião há duas pressões, de natureza oposta mas de consequência idêntica:

  1. a primeira pressão é a necessidade de “ir para a próxima”, uma quase síndrome ou compulsão por varrer todo o espectro de estímulos só para não ficar devendo;
  2. a segunda pressão é a conivência ambiental, que eu defino como sendo a ausência total de algum processo, pessoa ou situação que verdadeiramente exija profundidade. Nos tempos atuais, tudo é superficial, tudo é um pouco burro. Então, sinceramente, prá que aprofundar?

Por isso mesmo enxergo muitas missões neste singelo prolongamento do Mini Paper. Fazer esta provocação é uma delas. Mas há outras, como por exemplo inserir um trecho mais completo do texto do Dee Hock que usei como pano de fundo do Mini Paper. Pago esta dívida aqui, e tenho certeza que, sem cortes, o texto fica ainda mais tocante. Melhor mesmo é ler o livro, uma prova de que você quer ir fundo.

Outra missão desta página é ouvir você. “Nunca antes na história deste país” foi tão importante você comentar tudo o que leu até aqui e adicionar suas impressões. Comente, conteste ou confronte. Ou concorde, complemente e confirme. Do nível básico chamado informação ao nível alto chamado sabedoria, a discussão, a polêmica e a adição de opiniões, são ingredientes essenciais.

Ou seja, agora é a sua hora. Reflita, discuta e, principalmente, comente aqui embaixo. Não deixe de colocar sua peça no quebra-cabeça que, com um pouco de sorte, pode nos levar à sabedoria.